Você paga a parcela todo mês, mas a dívida não diminui — às vezes até cresce. Se essa é a sua realidade num empréstimo, cartão ou financiamento, há uma boa chance de o contrato carregar juros e encargos abusivos. E contrato abusivo se revisa na Justiça.
Acompanhe até o final para entender:
- O que são juros abusivos e qual é o parâmetro usado pelos tribunais;
- Os sinais práticos de que seu contrato merece revisão;
- O que é venda casada de seguro e por que ela é ilegal;
- O que a ação revisional pode conseguir na prática;
- Os documentos necessários para começar.
O que são juros abusivos?
Bancos podem fixar livremente suas taxas — mas essa liberdade não é absoluta. O parâmetro adotado pelo Superior Tribunal de Justiça é a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para a mesma modalidade de crédito e a mesma época da contratação. Quando a taxa do seu contrato supera substancialmente essa média, sem justificativa no seu perfil de risco, configura-se a abusividade — vantagem manifestamente excessiva vedada pelo art. 39, V, do CDC.
Sinais de que seu contrato merece revisão
- A parcela não reduz o saldo: após anos pagando, você deve quase o mesmo que pegou;
- Taxa muito acima da média do BC para empréstimo pessoal, consignado ou financiamento de veículo;
- Tarifas estranhas no contrato: registro, avaliação do bem, serviços de terceiros que você não pediu;
- Seguro embutido que você não escolheu — o STJ considera venda casada quando o consumidor não tem liberdade real de contratar com outra seguradora (Tema 972);
- Falta de transparência: o banco não entrega o contrato nem informa o Custo Efetivo Total (CET).
O que a ação revisional pode conseguir
- Readequação da taxa de juros à média de mercado da época da contratação;
- Exclusão de tarifas e seguros indevidos, com recalculo de todo o contrato;
- Devolução do que foi pago a mais, podendo ser em dobro quando há cobrança indevida (art. 42, parágrafo único, do CDC);
- Redução real da parcela e do saldo devedor, devolvendo o fôlego do orçamento.
Documentos para começar
- Cópia do contrato (se não tiver, o banco é obrigado a fornecer);
- Extratos e comprovantes de pagamento;
- Faturas, no caso de cartão de crédito;
- Qualquer comunicação de cobrança recebida.
Como um advogado pode ajudar
O trabalho começa com a perícia do contrato: levantamos a taxa contratada, comparamos com a série histórica do Banco Central, identificamos tarifas e seguros ilegais e recalculamos o saldo real. Só então é possível dizer, com honestidade, se a revisão vale a pena no seu caso — e quanto ela pode representar.
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